terça-feira, 6 de abril de 2010

Último domingo (4)


é o fim, dessa vez
foi meu último domingo
foram meus últimos dois gols
não posso mais, não dá mais

estiquei além dos limites
o elástico das minhas possibilidades
atrasei o quanto pude
a idade dos meus ossos
o relógio das ilusões e fantasias

devia ter parado no tique
- só pelé soube o momento certo
da pedrada de estilingue
no músculo da barriga da perna

dói ser interrompido assim
pela desobediencia da bola
no taque do punhal do tempo
sem volta olímpica, o silencio
da bola como testemunha.

akira yamasaki
06/04/2010.

6 comentários:

  1. Evoé, Akira "Bandeira"!

    Aprendamos sempre que essa compeensão do tempo, ainda que lírica, dói pra chuchu!

    Há braços,
    Escobar Franelas
    http://escobarfranelas.blogspot.com
    www.recantodasletras.com.br/autores/escobarfranelas


    Caramba... tá doendo em mim.
    Cleston Teixeira (cleston.teixeira@gmail.com)

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  2. Segura a onda Cumpadi Yamazaki
    Domingão tem prorrogação
    Que o diga o Santo Djalma,
    Com seu elástico

    xicoedu

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  3. Akira,

    O diretor da faculdade de medicina USP Dr. Vicente jogou ou brincou até os 65 anos, futebol de campo como meia direita especialista, só recebia bola boa (com açucar), as ruins mandavam para o ponta esquerda. Ele tomava o cuidado de colocar no meio de campo os alunos e amigos que deviam favores ou precisavam de nota, para administrar a pelota e não exigir muito do Dr. Vicente, afinal ele era o especialista!
    Em 2007 Dr.Vicente deixou os gramados, somente administra os jogos, toma conta do material esportivo, distribui as camisetas, organiza os times e dá palpite, fala! grita! etc.
    Então, Akira, a pelota sempre vai estar perto de você e você com ela na
    cabeça e no coração.

    Abraço

    Michel Rodrigues.

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  4. Akira,quando se chega a beira do abismo o melhor é dar um novo passo.

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  5. Seu poeminha, me inspirou um outro, segue abaixo


    O pêndulo da vida e da morte

    Existe uma lamina no eixo tempo,
    é um pêndulo que vai e vem,
    que vai baixando lentamente sobre nossas cabeças
    desce na ida e na volta.
    Sempre presente em nossa vida.
    São milimetros imperceptíveis,
    mas inexoravelmente
    este pêndulo afiado só desce,
    em busca de seu alvo.
    Paciente, resoluto e orgulhoso do
    seu grande e infindável trabalho.
    Vai rebentando fio por fio a trama da nossa vida,
    e quando esta teia já não resiste mais,
    e por um fio ela heroicamente ainda existe
    lá vem o pêndulo
    lá vai o pêndulo
    e num zás, contumás, tudo acaba.
    Viramos lembrança,
    viramos lágrimas nos olhos dos outros,
    seremos retrato na lápide fria
    seremos eternamente saudade.

    Carlos Alberto Rodrigues
    07/04/2010
    15:33
    Itamambuca

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  6. Carlos Alberto zelador do Brooklin21 de abril de 2010 04:23

    Salve Akira
    Estava lendo os comentários sobre seu infortúnio físico/esportivo e encontrei com muita alegria, diga-se de passagem, meu poeminha "O PÊNDULO DA VIDA E DA MORTE", registrado aqui para eternizar este acontecimento.
    Grato

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