sábado, 22 de julho de 2017

pipas


na amplidão e eternidade
do céu que separa
duas ruas no oliveiras
duelam dois meninos
enredadas no mesmo espanto
duas pipas com linhas de cerol
atacam uma à outra com seus arsenais
de cortes e amputações mútuas
num golpe mais de sorte que maestria
de um dos combatentes destemidos
uma delas é morta sem submissão
e seu umbilical cordão decepado
tinge o vento de vermelho
mas nem um minuto depois ressuscita
nas mãos de outro menino veloz
que o busão na marechal quase atropela
:- seu moleque filho da puta
o estrondo do berro colérico do motorista
atravessa o oliveiras de ponta a ponta
então frágil mas teimosa
a poesia nasce novamente
o céu foi seu útero
seu berço é o vento
akira - 22/07/2017.

58º sarau da casa amarela


vem aí o 58º sarau da casa amarela
(junto com a festa dos leoninos do mpa)
data: 12/08/2017 - sábado
horário: a partir das 15h
programa:
1. almoço às 12h
a) os comes ficam por conta do edsinho e
os bebes faremos um rateio após a festa;
b) importante: favor confirmar presença - tipo "eu e mais uma pessoa", "eu e mais duas pessoas" e etc, etc, para definição da quantidade de comida a ser preparada
2. sarau a partir das 15h
local: sítio do edsinho
estrada da grama - são roque
(siga as instruções olhando o mapa anexo: entre no km 58, não no 54, da castelo branco em direção a sorocaba, faça o retorno sobre o viaduto e siga à direita na estrada do saboó por uns 5km, estrada agora toda asfaltada; passando pelo condomínio "ninho do condor" haverá duas descidas acentuadas e no final da segunda descida, uma curva acentuada à direita onde há uma estrada de terra à esquerda - referência / ponto de ônibus coberto -, chamada "estrada da grama"; siga por mais 500m e haverá um portão com cobertura de telhado à esquerda, onde é o local do evento).
convidados especiais:
. carloz torres (exposição e venda de livros da editora essencial)
. deise capelozza & joão emílio
. edvaldo santana
traga sua poesia e sua canção
traga sua alegria e sua emoção
palco livre e microfone aberto
quem vier será bentivindo




casa amarela em cena no amparo literário


alba atróz, meu amigo querido
esta é mais uma das situações em que por mais
que procuremos ficamos sem ação nem palavras
para agradecer tanta hospitalidade carinhosa com
que fomos recebidos sábado passado no projeto
amparo literário, eu e meus companheiros da casa
amarela, para divulgar o livro/cd "oliveiras blues".
você tem total razão, meu amigo, foi um momento
emocionante e inesquecível diante do qual tenho
apenas duas palavras simples - as mais clichê do
vocabulário humano, mas sinceras para retribuir
o seu afeto e amizade: muito obrigado.
akira - 13/07/2017.
"C.A EM CENA no amparo literário
O "Casa Amarela Em Cena" esteve no palco do Amparo Literário - Sarau Simpósio de Artes Integradas e deu um show de interpretação na adaptação teatral de textos de "Oliveiras Blues", obra de Akira Yamasaki, poeta que tem participação especial, principalmente na hilariante esquete do personagem "Dedo-Mole", muito bem interpretado pelo poeta e ator Manogon que deu vida a um sujeito que carrega dramas pessoais que contribuíram em sua formação criminosa e o motivaram a criar seus códigos de honra e éticas, intermediárias entre o crime e à comunidade do Itaim.

Resumindo, numa relação de respeito e pé atrás, o poeta Akira e "Dedo-Mole" acabam tendo uma estranha, perigosa e hilariante amizade, narrada por testemunhas oculares e parceiros de copo, figuras do imaginário de Akira e parceiros de rodadas de baralho nos bares do Itaim

Somos também impactados pela decadência de "Clóvis" na esquete dramática e com toques de humor presentes nas falas de cada componente da peça, sob a direção e apoio técnico de Sueli Kimura - numa forte e marcante atuação de Escobar Franelas, Rosinha Morais, Luciana Marques, Luka Magalhães e Henrique Vitorino.

Sensacional, principalmente, a cena de apogeu e queda estrondosa narrada por companheiros de trabalho e de vida. A atuação de Luciana Marques que interpreta a mãe de Clóvis (Escobar Franelas) ao correr aos prantos de encontro ao corpo do filho caído, morto, abandonado, enquanto soa a voz e o violão melodioso, triste de Henrique Vitorino, entre pausas onde surgem falas de Rosinha, Manogon e Luka, é de uma dramaturgia... Sensacional! Parabéns, C.A. Momento inesquecível!

Alba Atróz - 08 de julho de 2017.







57º sarau da casa amarela


casa amarela

quantas canções, quantos poemas?
quantos sorrisos, quantas emoções?
quantas palavras cabem na casa amarela?
quanto afeto, quanta ternura?
quantos abraços, quantos sonhos?
quantos poetas cabem na casa amarela?
quanta resistência, quantas utopias?
quanto amor, quantas estrelas?
quantos amigos cabem na casa amarela?
akira - 12/07/2017.


















akira: caricatura de onézio cruz



cão na coleira


tem esse tempo
que parece passar
sem sair do chão
tem essa dor
que dói domesticada
um cão na coleira
akira - 11/07/2017.

noite de luar


eu me perdi certa noite
no mar negro do seu olhar
nunca mais me encontrei
nunca mais quis voltar
me perdi para sempre
era noite de luar
caí um dia num riacho
faltou isso pra me afogar
não sou peixe nem navio
peguei trauma do mar
peguei medo da água
era noite de luar
eu não sou marinheiro
eu não sei nadar
eu não sou marinheiro
tenho medo de amar
akira – 08/07/2017.