terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ponte nova

as luzes enfileiradas
da barragem ponte nova
refletem discos voadores
suspensos nas águas
da lagoa quilométrica

talvez já fosse hora
de estar aposentado
com direito adquirido
de não ter que concluir
um raciocínio simples
de mais de três sínteses
ou de poder escolher
três formas diferentes
de suicídios ou espantos

talvez já fosse tarde
e os pássaros partissem
com as últimas árvores
sem direito a escolhas
deixando para trás
apenas um velho tolo
à sombra das suas razões

as luzes enfileiradas
da barragem ponte nova
debruça sua claridade
em algum ponto do lago
no fio d`água do tietê
na memória da vazão
do seu leito de correntezas.

akira – 11/12/2011.

Um comentário:

  1. Altíssimo poder de síntese, meu caro! Seu poema, singelamente, diz TUDO!

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