sexta-feira, 5 de junho de 2015

fim de férias


férias voaram
como um fio de fumaça
o amanhã é agenda
carregada até a boca

outro último domingo


domingo de manhã
depois do futebol
cervejinha gelada
pinga com limão
linguiça acebolada

porque a vida é só
uma bolha de sabão
um voo de pássaro
breve ilusão dentro
de outra ilusão

akira - 19/03/2015.

beira mar


estava na beira do mar
em bertioga, enseada
na praia à beira mar

havia um pombo sozinho
caminhando à beira mar
um pombo viuvo sem saber
pra que lado caminhar


se na direção do infinito
ou no rumo da eternidade
para um peixe pescar 


estava com sueli kimura
na enseada de bertioga
na praia à beira mar

akira - 27/03/2015.

oliveiras blues (8)


contemplo o sol que acaba de nascer
no asfalto injusto da minha rua
sobre os meus desenganos

aqui e ali vejo espalhados no chão
casais de pombos
pinos de pó e preservativos

amanhece no oliveiras
nos sacos de lixo nas frentes das casas
trecheiros esmiúçam sobras recicláveis

akira - 25/03/2015.

arnaldo


arnaldo, véio
o amor é cego
o riso insulta
o ódio vaga


arnaldo, véio
a palavra muda
sob o céu surdo
ante o mar tanto

arnaldo, véio
o pano cai
o tempo cala
o olho vaza

akira - 23/03/2015.

ganhei presente de joão caetano


VISITA NO DOMINGO - 22/03/2015 - João Caetano
Ou de minha história com Akira Yamasaki, Marco Cremasco e Nydia Bonetti


Manhã de domingo
A campainha vibra
E Toca que toca
Toca e delira
Vejo quem me chama:
É compadre Akira.
Desço num minuto
Olho tal figura
E levo um susto
Mais morto que vivo
Mas ainda de pé
Ele sequer fala
Somente delira
Grito, me ajudem:
Passa mal o Akira.
Ele não respira
Tomba ofegante
Pede água, gim
E um bom calmante.
E num breve instante
De apenas três horas
Já longe do sol
Akira melhora
Recupera a fala
Conta devagar;
“Joguei futebol”.
Agora, contente
Com cara de vivo
Saúde a mil
Me deixa gentil
Dois baitas presentes
Um mundo de cores
Num pequeno frasco
Esse grande livro
“As coisas de João Flores”
Do Marco Cremasco.
Mas tem muito mais
Tem coisa de gala
Vou me arrumar todo
Passar a gilete
Pentear o topete
Cuspir o chiclete
E então me perder
Nesse mundo mágico
Do livro “Sumi-ê”
Da Nydia Bonetti;

Com tanto presente
A gente até pira
E diz volte sempre
Adalberto Akira

jardim de hideko 24



férias
manhã de segunda-feira
plena de chuvas e preguiças
jabá com batata picada
cozinhando na panela


temperei
só com alho, cebola
e ajinomoto o bastante
para acentuar o gosto

ôpa, ainda bem
que desta vez acertei
no ponto do arroz
que sempre deixo queimar

abre meu apetite
e os caminhos dos cheiros
a caipirinha de pinga
com limão cravo colhido
no jardim de hideko

assim como fortalece
a minha certeza que seu kami
itinera assiduamente por aqui
de março em março
como um beija-flor

akira – 16/03/2015.