domingo, 30 de junho de 2013

Tremi de medo e chorei de emoção (2ª parte)



compartilho fotos da 2ª parte da minha participação na
atividade literária e cultural realizada na emef profº
maestro alex martins costa, onde mantive um tocante e
inesquecível encontro com professores da escola e os
alunos/membros da ael – academia estudantil de letras
rubem alves, emocionante projeto cultural que tem por
objetivos estimular o gosto pela leitura, aprimorar a
escrita, desenvolver hábitos de estudo, promover a
autoestima, praticar a inclusão e incentivar a disciplina e
a criatividade, dentre outros. como dito anteriormente,
 os acadêmicos da ael são os próprios alunos da escola
interessados em literatura onde cada um representa um
poeta ou escritor de sua preferência, inclusive, na quarta
feira – 26/06, contei  cerca de quinze acadêmicos, todos
devidamente identificados por uma camiseta própria do
projeto. um era o solano de andrade, outro, o bandeira,
outra, a cecilia meireles, a cora coralina e daí por diante.
nesse dia fui informado pela profª inês santos que o
projeto ael, que foi criado e é coordenado  pela profª
sueli gonçalves, já está implantado ou em fase de
implantação em vinte e duas emefs da penha, o que na
minha opinião pode vir a ser o embrião de uma grande
revolução educacional no país. já pensaram?, uma ael
em cada escola do brasil? a atividade da 4ª passada foi
realizada no formato de um sarau com professores da
emef profº maestro alex e alunos da ael, onde eu e meu
livro/cd “bentevi, Itaim” éramos o convidado especial.
foi massa e máximo, uma experiência comovedora em
que tive meus poemas lidos, discutidos e declamados
por alunos e professores da escola, o que mais pode
pedir à vida esse “bom poeta ruim”? fico por aqui, com
certeza as fotos são mais eloqüentes que as palavras.

akira – 30/06/2013.























sábado, 29 de junho de 2013

Tremi de medo e chorei de emoção (1ª parte)



a minha comadre Inês Santos me convidou há uns três
meses atrás para participar de uma atividade cultural e
literária com alunos e professores da sua escola, a emef
profº maestro alex martins costa, onde é realizado um
comovente projeto: a ael, academia estudantil  de letras
rubem alves, onde os acadêmicos são alunos da própria
escola interessados em literatura. a atividade consistiu
na leitura pelos professores e alunos da ael,  de poemas
do meu livro/cd “bentevi, Itaim” e posterior realização
de um sarau na escola que acabou ocorrendo na última
4ª feira – 26/06/2013. tremi nas bases na 4ª, quando de
surpresa, a inês me informou que uma das professoras,
a tânia cristina lemos tinha desenvolvido um trabalho
com crianças do 5º ano a – ciclo 1, com leitura e discussão
de poemas do “bentevi, Itaim”, que resultou em textos
criados pelos pequeninos e intitulados de “minha casa,
meu bairro” e o pior, que os danados faziam questão de 
ler para mim em sala de aula. tem hora que não dá para
segurar a emoção e essa foi uma delas. à inês e à tânia
não sei como agradecer tanta generosidade e afeto.

akira – 28/06/2013.












Máscara

meu rosto tem infinitos nós
como na voz de um ator
de teatro nô

cada nó é a máscara
de um pesadelo perverso
atos de dor e medo
que passaram por mim

cada nó é a aparência
do momento de uma perda
sonhos e lemas fracassados
uns sobre os outros

cada nó é o disfarce
de um demônio à solta
na minha manhã

meu rosto quer paz
mas o vento dos destinos
nunca descansa

akira – 28/06/2013.

Ceciro Cordeiro, no 14º Sarau da Casa Amarela



cantando “estava quase conseguindo ser feliz”, de sua
autoria, ceciro cordeiro também participou do 14º sarau
da casa amarela que homenageou éder lima, Carlos
 moreira e lígia regina. as imagens foram captadas pela
maquineta rúbia e destemida do audacioso facínora big
charlie, uma espécie de galante delinqüente que rouba
dos ricos para distribuir aos pobres.

Sem partidos

o partido dos sem partidos
é oportunista e pragmático
não discute sexo dos anjos
e organiza-se numa piscada

suas propostas são vagas
desprovidas de conteúdo
mas cativantes, sedutoras
maquiadas de relevância
e de fácil entendimento

são repetidas à exaustão
através palavras de ordem

lobo em pele de cordeiro
sempre que é conveniente
traveste-se de esquerda
de centro e até de direita

se autofagia se necessário
alimenta-se de si mesmo
e berra nas manifestações:
- sem partido, sem partido

canto de sereia para atrair
toda sorte de ressentidos
juventudes descontentes
hordas de inocentes úteis
laranjas e testas de ferro
para atingir seu objetivo
de se tornar partido único

akira – 23/06/2013.

14º Sarau da Casa Amarela, por Éder Vicente



O Akira, o kara, diz generosamente em sua resenha
sobre a abertura do 14º sarau da Casa Amarela que
viu de olhos fechados a certa altura, o som do sax,
parte de mim, e da voz de “riacho cristalino”, da
Ligia, parte de nós, anunciar aos “quatro ventos das
ruas de São Miguel” que a poesia teria feito morada
na Casa Amarela. Não vejo figuras de linguagem
nessa imagem. Principalmente pelo fato de
compreender que toda palavra que sai da boca do
poeta, e que todo som que sai da voz-instrumento,
ou do instrumento-voz se torna poesia ao se
descortinar ou se fazer desvelar num instante
acontecimento.
O filosofo poeta obscuro morador da floresta e seus
caminhos e descaminhos diria que a arte ao desvelar-
se faz acontecer a verdade! Verdade não absoluta,
não dogmática, não cientifica, não positivista, não
racionalista, mas que nasce no espírito humano do
artista em sua relação com o mundo. Assim como
Carlos Moreira num momento de encantamento –
“com o fogo roubado dos deuses (…) com a loucura
necessária (…) com a chama, já lhe tocado os dedos
os olhos a língua... nos permitiu que fossemos
tocados. Todos. Nós (Eder e Ligia), o Claudio Gomes,
o João Caetano, o Zezão, o Escobar, a Sueli, as Celias
(Ribeiro e Yamazaki) o Gilberto Brás, o Big Charlie, o
Silvio Araújo, o Silvio Kono, o Quinho, o Ceciro
Cordeiro, o Gueguê, enfim, todos. Os que carregam a
mesma ânsia. Mesmo desejo. Mesma vontade de se
banhar nas águas vivas da cachoeira da justiça.
E por falar em justiça, creio que se o Akira Yamasaki,
dono das mais lindas sagas poéticas não tivesse nos
olhado nos olhos (meu e da Ligia) com aquela luz que
escapa em suas ondas quânticas e não nos tivesse
impregnado com sua verdade, talvez não tivéssemos
nos permitido à abertura dos véus. Talvez nossa
singela musica não tivesse escapado e alçado vôos
rasantes por sobre a Casa Amarela do mundo. Eliot,
com sua permissão: “O que podia ter sido e o que foi
tendem para um só fim, que é sempre presente.”

Éder Vicente.