segunda-feira, 17 de junho de 2013

Resenhas de Éder Vicente e Claudio Gomes sobre o Projeto Ronaldo Ferro de 07062013

Ficou mal com Deus quem não passou na Casa de Farinha
e não ouviu Jocélio Amaro contando causos proibidos ou
rememorando fatos que talvez só ocorram em São Miguel.
Ocasos de São Miguel da São Paulo de Vanzoline. Não houve
quem não entendeu quando Claudio Gomes poetou (apenas
os críticos, mas estes não estavam presentes) e por isso
mesmo não ouviram um pouco das 63 releituras de
“batatinha quando nasce”. Talvez Jonh Cage e sua escuta
atenta e onipresente tenha escapado da saraivada de
silêncios que duraram muito mais que quatro minutos e
trinta e tres segundos. No entanto o decreto fora sancionado:
ninguém ouse calar o poeta! Decreto este maculado apenas
pela transgressora contenda musical deCeciro Cordeiro, que
junto e misturado a Ronaldo Ferro, Ravi Landim e Manolo
desferiram golpes mortais em língua pátria e universal.
Ceciro escreveu sem giz e não deixou faltar luz para a pose
sensual das margaridas. Movimentos apócrifos. Olhos
esbugalhados. Xotes, baiões e xaxados. Atitude rock and roll
não permitiu aos presentes dissipar os olhares. É meus caros,
ficaram mal com Deus os que não participaram deste
acontecimento aconchegante onde desvelou-se a arte
genuína da zona leste.

Éder Lima – 08/06/2013.

O jardim cenográfico da Casa de Farinha acolhe, com o carinho
que a família do Xavier nos envolve, e mesmo com o
 dorme-acorda dos insetos, pardais e seus primos,
experimentamos certa distância da urbanidade e mergulhamos
no onírico.
Akira inaugura a noite com uma surpresa duplamente agradável:
traz uma rodada de belezuras de Raberuam cantado à capella,
uma iguaria. Antes disso eu, já havia de relance falado um pouco
com Éder que hoje faria umas releituras de vocalizações de textos
que estavam com mais de vinte cinco anos em nossas emoções.
Fiz uma sessão de textos líricos e cheios de saudade de Arapiraca,
entrecortando com algumas críticas aos anti líricos e críticos em
geral. Mesmo esse meu mezzo lirismo navegando no moderno
cheio de onomatopeias e sons de brinquedos, silêncios, olhares e
mais silêncios... É denunciado pela captura digital generalizada,
 cria outra performance ali, a dos mezzo paparazzi e nesse caldo
de flash Jocélio Amaro e Celio Gomes em dedilhados nas cordas
vão enchendo nossos ouvidos com belas melodias. Está ali baião
de dois caprichado. Quando então Celinho da Celinha nos encanta
com uma interpretação tão litúrgica de Gení, o zepelim, por um
instante de soslaio olhei ao redor se confirmou a imantação, era
mesmo uns caminhos da auteridade se fazendo, aquele papo de
início com Éder, o que se confirma logo que Jocélio nos presenteou
com um romanceiro paraibano de orgulhar o gitano Lorca...
Volto ao palco e recupero um triz de ingenuidade em vocalizar o...
 "do lado de quem entra no trem pro Brás entregentes vi, aquele
velho moreno seu Isidoro, era o boi que festava tanto, no bumbá de
Arapiraca" saudando Akira que já havia falado a outra alma desse
poema quando me apresentou. Foi também uma cama saudável
para ganhar o silêncio necessário ali chocando o pimentão vermelho
para atirar "o Ter" garganta afora, que depois Éder referenciou aos
quatro minutos e trinta e três segundo do John Cage... Urbanidades
sanas talvez. Quando o poeta que escreve (ou pinta desenha dança
ou...) não encontra as palavras (ou as vogais e consoantes de
qualquer linguagem estética) que inscrevam sua emoção na
mundanidade, temos um tempo de silencio que é angustiante nas
subjetividades do Ser. Mais que a morte não sei se é. Não me lembro
de minhas mortes outras. Recuperados da explosão, vem Ceciro
Cordeiro, muito bem acompanhado por Ravi Landim, pelo chileno
Manolo en cajón e Ronaldo Ferro confirmando que a colônia de
afinadores de sereias acerta os timbres em realizar essa homenagem
ao baixista, via projeto memoria musical. Cícero Cordeiro faz uma
pausa, para Ravi Landim desfilar uma das faces do senhor Silêncio
que veio nos visitar nessa sexta... Ravi é new generation da banca de
imaginativos divinais. Nativo do São Miguel contemporâneo. Eu,
muito a fim de escrever esse que você agora lê, pedi ao Ravi a letra da
música e ele: “onde e como publicará este comentário, posto que
entendo que a letra perde força e sentido quando exposta sem a
música”. E então coube a mim:” sobre o show de ontem rascunhei
um texto que vai se delineando em arriscar dizer dos espaços e
tempos entre as emoções e sentidos, entre os silêncios... e solos... e
duos e os sons conjuntos variados, como por exemplo, os tons de um
 coro sentido quando o Célio cantou Gení, o zepelim. Quero apenas
citar a bela novidade e surpresa minha: o solo seu, trazendo algum
trecho da letra. Então pedi aqui a licença para encaixar trechos de
nosso diálogo. Sinto nexo. Esse momento mais que voz e violão você
 vai ver quando Kono Sound postar no yotub. Sente o nexo do refrão:
Pode o silêncio denunciar? - E o peito transborda de tanto ser. Pode
a palavra então afastar? - A fala do cheiro e da cor da flor. Pode o
silêncio denunciar? - E o peito transborda de tanto ser.
A sala se colore com luz de festa e a massa rítmica com rimas finas e
umas insinuações de arranjos pra lá de criativos que nos envolve em
 danças e rodopios: é Cícero e Fabio lima vozeirando as ondas
sonoras percutindo o reggae em nossos sentidos, interprete
vitalizado,” Ceciro escreve canções inusitadas, inesperadas e
surpreendentes que me deixam sem ação e reação. É uma
incontrolável e maravilhosa pororoca, ceciro é o encontro entre o
amazonas e o atlântico” (Akira). Creia eu estive o tempo todo
acordado. (Cláudio Gomes).





Fotopoema de Xavier



Ao Grande poeta Akira Yamasaki
toda minha admiração. Grande ser
humano. Guardião dos artistas e
das artes. 

Francisco Xavier.

Espumas



reparto os partos das manhãs
que partem para sempre voltar
como um passo após o outro
como espumas brancas do mar
que agonizam nas mesmas praias
seu destino de eterno retornar

repasso os passos do silencio
no seu eterno vir e rodopiar
como um dia após o outro
como antigas ondas do mar
refazendo nas mesmas pedras
a agonia do sal a espumar

akira (antigo, sem data).

Projeto Memória no ECLA, com Akira, Silvio e Gildo


algumas fotos de francisco xavier, registros da
apresentação poético/musical de akira yamasaki,
gildo passos e sílvio araújo no espaço cultural
latino americano - ecla, no dia 31/05/2013. fotos
de um evento que teve tudo para ser um fiasco:
logo de manhã o ronaldo ferro ligou dizendo que
estava de cama devido uma gripe brutal, o que o
impedia de participar do show; o gildo, acometido
de uma crise de artrite/artrose e com os dedos da
mão esquerda inchados teve que preparar um
repertório de canções que pudessem ser tocadas
com apenas três dedos; eu e sílvio não tivemos
tempo para realizar um ensaio sequer da nossa
participação e combinamos ensaiar cada um por
si e deus para todos; e por último, um grande
temor pela falta de público porque o evento foi
marcado para o dia 31/05, sexta-feira, emenda
de um feriado gordo e prolongado. tinha tudo para
dar errado, é verdade, mas no fim, como as fotos
comprovam, os amigos compareceram em bom
número, o gildão, ajudado por umas doses de
doméque, até esqueceu da dor nas articulações e
acabou tocando e cantando maravilhosamente e
eu e sílvio araújo demos a impressão que
ensaiamos juntos a semana inteira e o que
aconteceu no ecla, foi um emocionante momento
de celebração da arte, da música, da poesia, da
alegria e da amizade.

akira - 05/06/2013.







Ainda sobre a Virada Cultural 2013



fiquei honrado e comovido ao participar da
virada cultural 2013 realizando interferências
poéticas e musicais no show do mpa na galeria
olido, com meus amigos éder lima, lígia refina
e escobar franelas. foi difícil segurar a emoção
enquanto um filme de mais de mais de trinta
anos de história passava pela minha cabeça.
as fotos são de horácio costa.





quarta-feira, 12 de junho de 2013

14º SARAU DA CASA AMARELA


Comadres e compadres, artistas e produtores de
cultura em São Miguel e adjacências - estão todos
convidados, intimados e convocados para 14º
Sarau da Casa Amarela, o mais imperdível dentre
todos os que já realizamos. Ocorrerá no próximo
sábado, 15/06, e o formato será o de sempre,
microfone aberto às linguagens e expressões
artísticas presentes e a participação de convidados
especiais que conversam com os presentes sobre
suas vidas e obras artísticas e culturais. Nessa
edição teremos o prazer e a honra de conhecer
mais de perto três convidados muito especiais que
admiramos demais: Ligia Regina, Eder Lima e
Carlos Moreira. Todos à Casa Amarela no sábado.
Divulguem, compartilhem e compareçam.

14º Sarau da Casa Amarela
Data: 15/06/2013 – sábado
Horário: 15h
Local: Casa Amarela Espaço Cultural
Rua Julião Pereira Machado, 07
São Miguel Paulista – SP
(perto da SABESP, atrás do Carlos Gomes)

PROGRAMA

15H00 Abertura com Exposição de Arte com trabalhos
de Éder Vicente e Lígia Regina
16h00 Apresentação musical com Eder Lima e Ligia
Regina
16h30 Microfone aberto
17h30 Participação do poeta Carlos Moreira